Gilberto Stone

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A MORTE DA BARATA

Eram quatro horas da manhã quando me levantei pra ir ao banheiro.
Estava quase dormindo sentado no vaso quando vi que uma barata ía em direção ao nosso quarto. Pra que ela não fugisse cheguei a sair com as calças na mão determinado a cometer um baraticídio.
Dei uma, duas, três chineladas e não acertei nenhuma.
A estas alturas minha mulher que assustada com o barulho, não sabia o que estava acontecendo quando a barata foi em sua direção. Nesse momento tentei fazer nova investida e  mais uma vez fracassei. Só que dessa vez me desequilibrei e caí. Felizmente saí ileso com o auxílio da minha esposa. Ela também tentando matar o inseto, caiu e machucou o braço.
Resultado: Resolvemos ficar de plantão à espera que o detestável inseto saísse do seu esconderijo.
Deu resultado, a barata saiu da sua trincheira e foi morta pela minha mulher.
Hoje pensando no ocorrido lembro de uma frase que a gente ouvia a muitos anos atrás que dizia:
“- Homem que é homem não tem medo de baratas.”
Poderia acrescentar:
“Mulher também!”
Ela se superou porque para uma mulher essa atitude exige uma coragem excepcional devido a sua sensibilidade mais apurada.
Mesmo sendo homem confesso que o bichinho me transmite uma mistura de medo com nojo.
Medo sim, por que não? O medo não nos torna menos homens. A sensibilidade não tem sexo.
Também ouvia dizerem que intuição é coisa de mulher.
Esses preconceitos acabam por embrutecer os homens que pra manterem esse machismo sem sentido acabam provocando trágicos resultados.
Também diziam:
“ – Homem não deve chorar.”
Digo, deve chorar sim. Chorar de emoção quando diz a sua mulher, a seu filho, a um neto, a um irmão:
‘ – EU TE AMO.

Gilberto Stone
Enviado por Gilberto Stone em 23/12/2019
Alterado em 22/01/2020


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